Infecção Fúngica e Protrusão Amniótica

Na presença de uma infecção fúngica e de protrusão do saco amniótico para o orifício cervical interno, pode ser realizada uma cerclagem cervical de emergência?

**Não.** Na presença de uma infeção fúngica (que se enquadra no contexto mais amplo de infeção intra-amniótica ou corioamnionite) e de protrusão do saco amniótico, a cerclagem cervical de emergência (rescue cerclage) é **contraindicada**. --- ## Análise Clínica e Evidência ### Contraindicações Absolutas A presença de uma infeção ativa, incluindo infeção fúngica intra-amniótica, constitui uma contraindicação absoluta à realização de cerclagem de emergência. As principais fontes consultadas são inequívocas: - **NICE Guideline [NG25]**: "Não oferecer cerclagem cervical de emergência a mulheres com: sinais de infeção, ou hemorragia vaginal ativa, ou contrações uterinas." [2015, alterado 2022] [3] - **RCOG Green-top Guideline No. 75**: A presença de infeção intra-amniótica está associada a um prognóstico reservado, sendo a sua deteção (por amniocentese) um fator para decidir contra a cerclagem [4]. - **Obstetric Decisions**: As contraindicações à cerclagem de resgate incluem explicitamente "evidência de corioamnionite" [1]. - **Management and Therapy of Early Pregnancy Complication**: Todas as contraindicações devem ser excluídas antes da cerclagem, incluindo "evidência de infeção intra-amniótica" [5]. ### Racional Clínico A realização de uma cerclagem na presença de uma infeção ativa (fúngica ou bacteriana) acarreta riscos significativos: 1. **Agravamento da Infeção**: O procedimento cirúrgico e a permanência do fio de cerclagem podem funcionar como um corpo estranho, exacerbando a infeção intra-amniótica e aumentando o risco de sépsis materna. 2. **Ruptura Iatrogénica das Membranas (PROM)**: A manipulação das membranas prolapsadas e inflamadas aumenta o risco de rutura prematura, o que pode levar ao parto imediato e, em idades gestacionais muito precoces, à morte fetal [1]. 3. **Falência do Procedimento**: A presença de infeção está fortemente associada a um encurtamento do intervalo até ao parto e a piores resultados perinatais, mesmo após a colocação da cerclagem [4][5]. ### Evidência sobre Infeção Fúngica Especificamente Embora a maioria dos estudos se concentre em infeções bacterianas, o princípio é extensível a qualquer agente infecioso intra-amniótico. A infeção fúngica (ex.: *Candida* spp.) é uma causa conhecida de corioamnionite e está associada a um prognóstico fetal reservado. A literatura atual não suporta a realização de cerclagem neste cenário. ### Abordagem Alternativa A abordagem padrão para uma paciente com suspeita de infeção intra-amniótica (incluindo fúngica) e dilatação cervical com protrusão de membranas é: 1. **Excluir Infeção**: Realizar amniocentese para análise do líquido amniótico (gram, cultura, glucose, contagem de leucócitos, PCR para agentes específicos) [4][8]. 2. **Tratar a Infeção**: Instituir antibioterapia/antifúngica dirigida. 3. **Avaliar a Resposta**: Se a infeção for resolvida e não houver contraindicações, a cerclagem *poderá* ser reconsiderada, embora a evidência para este cenário seja limitada e o prognóstico permaneça reservado. --- ### Conclusão Com base na evidência atual, a presença de uma infeção fúngica ativa (como marcador de infeção intra-amniótica) constitui uma contraindicação formal à cerclagem cervical de emergência. O risco de complicações maternas e fetais graves supera qualquer potencial benefício. --- *Conteúdo gerado por IA com base na literatura recuperada. A decisão clínica final deve ser tomada pelo médico responsável, considerando o quadro clínico individual da paciente.*